Regulamentação dos profissionais da área de informática

Como a maioria que lê o blog são profissionais da área de informática, vou perguntar algo que sempre me deixou um pouco preocupado.

Quantas vezes você precisou preencher um formulário e necessitou colocar sua profissão (relate aqui as opções disponíveis e o que você escreveu) ? Pois bem, um dia alguém também me perguntou isso e não achei resposta. Vamos avaliar algumas opções :

Engenharia = Engenheiro
Advocacia = Advogado
Medicina = Médico


Ciência da computação = ??? (se você responder cientista da computação, está errado :) )
Sistemas de informação = ???

Outras pessoas também têm essa preocupação e felizmente alguém está se preocupando em legalizar a nossa profissão no senado. Vi hoje no Dicas-l e dei uma lida na tramitação.

Vejam vocês também com os próprios olhos:

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/Detalhes.asp?p_cod_mate=82918
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/getHTML.asp?t=11569

Saaaaaaanto Expedito :)

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9 Comments so far

  1. Emerson on June 12th, 2008

    Eu sou radicalmente contra o PL 607. Fico com a opinião da SBC de que essa regulamentação é nociva (http://www.sbc.org.br/index.php?language=1&subject=107). Coisa de país cartorial, herança que ganhamos por ter sido uma colônia Portuguesa. O PL cria um conselho que teremos que botar uma grana (sem esquecermos do sindicato) pra funcinar e que provavelmente limitará o desenvolvimento de novas tecnologias em uma área nova no mundo (a ciência da computação como área reconhecida tem o quê? 60, 70 anos?). Além da minha total objeção a mais uma tunga no meu salário o PL limita as pessoas que podem excercer a profissão aos possuidores de diplomas em Análise de Sistemas, Ciência da Computação e Processamento de Dados. E os possuidores de diploma em Matemática Computacional e Engenharia da Computação? E os possuidores de diploma em novos cursos (lembre-se, essa é uma área nova e em expansão). Sou contra (veja um blog com argumentos até melhores que o deste comentário: http://pls607.wordpress.com/). Em tempo: sou bacharel em Ciência da Computação.

  2. admin on June 12th, 2008

    Emerson,

    Não sou a favor nem contra essa medida. Apenas defendo a idéia de que nossa profissão precisa ser regulamentada.

    Sobre os formados em engenharia da computação ou matemática computacional, suas profissões são a da classe do curso: Matemático e Engenheiro. Esta é apenas um ênfase do curso.

    O que me preocupa realmente é sobre a área de sistemas em si. Não é como engenharia que para receber o título de engenheiro e obter CREA precisa ser formado e outras coisas mais.

    Na nossa área entra qualquer um, com ou sem formação e dessa forma temos sempre o problema da lei de oferta e procura. Com a alta demanda de profissionais (qualificados ou não) o valor da mão de obra cai e nós, os qualificados, somos de alguma forma afetados.

  3. Emerson on June 13th, 2008

    Discordo. Muita gente boa da área de exatas programa, analisa e testa melhor que muita gente da “área de sistemas”. Sem contar que esse pessoal traz formas diferentes de olhar para um problema, o que na minha opinião é muito saudável. Nossa área se envolve muito com outras e essa interação não pode ficar com a visão única de quem é treinado pra fazer “if”.

    Defendo a multidisciplinaridade porque faz com que a ciência da computação tenha atratividade para todos.

    E a demanda por profissionais pra fazer “if” é enorme no mundo todo e no Brasil ainda mais. Só ganha pouco de verdade quem é sub-qualificado. E aí nem adianta ter diploma de fazer de “if” reconhecido.

    Outra coisa, com uma regulamentação e um conselho vai haver um piso salarial. Sabe o que vai acontecer? 1) Os salários serão rebaixados porque a maioria vai receber o piso; 2) Quem já ganha bem hoje continuará ganhando (então não tem vantagem alguma ter um conselho, sindicato ou quetais); 3) Profissionais sem ética (e *toda* área tem profissionais sem ética) se responsabilizarão por trabalhos de gente que hoje está no mercado e não tem diploma (afinal, qual o problema de assinar um trabalho com javascript+html+php para uma página que não machuca ninguém feita por algum garoto de 14 anos?); 4) se acontecer algo diferente da primeira hipótese, os grandes empregadores contratarão indianos pra resolver nossos problemas de fazedores de “if”. Enfim, reserva de mercado, mesmo de trabalho, será tão nociva quanto a reserva de mercado para equipamentos de informática foi nos anos 70/80.

    E o pessoal que contribui com o software livre? Aliás, e O software livre? Será proibido de ser usado no Brasil porque é feito lá fora por sei lá quem que pode nem ser da área?

    Bom, sou contra qualquer regulamentação do tipo do CREA, OAB e afins. Nossa área é *muito* diferente dessas.

  4. admin on June 13th, 2008

    Sem flames, mas acho que você não entendeu meu posicionamento :)

    Sobre engenheiro e matemático, apesar de serem ótimos programadores, e coisas do tipo, caso queiram podem ser “matemáticos” ou “engenheiros”.

    No caso da nossa área isso não existe. Você é formado em que e qual sua profissão ? :)

  5. Emerson on June 16th, 2008

    Eu sou formado em Ciência da Computação e minha profissão atual, registrada em carteira e que uso para preencher formulários diversos, é Analista Programador. E você?

    Mas você acha que um “rótulo” para você preencher formulários é realmente importante? Você não acha mais importante que a área evolua de forma livre e sem as amarras de um conselho pra ditar regras e tungar os salários? Ou você realmente prefere ter uma lei que diga o que você deve colocar em um formulário pra identificar o que você faz?

    Isso não é uma flame war só quero entender os motivos de alguém ser a favor de uma lei dessas. Você é o primeiro que encontro. :-)

  6. admin on June 17th, 2008

    Acho que você não leu meu comentário acima:

    “Emerson,

    Não sou a favor nem contra essa medida. Apenas defendo a idéia de que nossa profissão precisa ser regulamentada.”

    Não defendo a lei, nem acho que é um rótulo. Fico muito chateado por “qualquer um” poder exercer a profissão na nossa área.

    Eu entrevisto muita gente para formar equipes e sei do estou falando. O tanto de sem vergonha que aparece, sem experiência, sem faculdade e que de alguma forma denigrem todo o trabalho que nós, os profissionais construímos.

    Lembro da época que comecei a programar profissionalmente trabalhando com C++ e VB3.0. Ganhava um salário muito bom e com a crescente de profissionais de baixo nível, a qualidade dos softwares produzidos caiu e os salários também. Aquilo me revoltou.

    Concordo em partes com o que você disse, e volto a afirmar que não defendo e nem apóio a lei. Apenas vi uma iniciativa e postei. Aliás, estou reavaliando em deixá-la aqui. rsrs

    Sobre mim, pode pedir ao Leonardo que trabalha com você referências e também pode dar uma olhada no meu perfil.

    http://blogdodantas.dxs.com.br/about/

    :)

  7. Emerson on June 17th, 2008

    A minha pergunta “e você?” foi mais retórica e pra saber o que você coloca (ou colocava quando sua atividade principal era programar) em formulários. Eu já tinha lido seu about quando assinei o RSS. ;-)

    Mas, como você mesmo diz, os picaretas não passam pelas entrevistas e, quando passam, nunca mais voltam dado o péssimo trabalho que fazem. O mercado funciona como uma peneira para os profissionais ruins (com e sem diploma) enquanto uma regulamentação sempre deixará passá-los em seleções mal-feitas. É o mesmo caso de alguns certificados em linguagens de programação: não é porque fulano sabe fazer if na linguagem X que ele saberá resolver problemas e você mesmo dá um exemplo disso em um post hoje. Penso que mais vale uma boa seleção do que uma regulamentação.

    Acho que você deve manter o post, sim. Afinal, seus comentários, em resposta aos meus, esclarecem seu ponto de vista.

    Prometo não dar mais pitaco aqui neste post. ;-)

  8. marcelo on November 28th, 2008

    alguém pode me ajudar eu tento instalar o pro evoluction soccer 2008 ái carrega uma parte ai dá esse erro: DLL load error! , o que eu faço?

  9. Rodrigo on August 28th, 2009

    Sou totalmente a favor desta legalização.
    Atualmente existem ótimos profissionais de TI, analistas, programadores entre outros, porém, pergunte a um programador autodidata o que é uma pilha, uma fila, ou como se da a leitura de dados por um processador, qual a melhor forma de compilação. Mais da metade dos profissionais nunca nem ouviram falar nisso! E informações deste tipo são importantissimas para arquitetura da informação, desenvolvimento, análise, redes de computadores, enfim, tudo relacionado a TI, pois causa impacto direto na qualidade e eficiência de um produto, além de definição de prazo.
    Acredito que, profissionais com mais de 5 anos de experiência ATIVA (isto é, não ter aprendido e nunca mais ter mexido, mas sim, aprender e atuar com aquilo, fazendo com que realmente seja um profissional SÊNIOR) com certeza merecem uma oportunidade, digamos, através de um teste ou algo assim, pelo menos na tentativa de mostrar que não apenas sabem o processo ou a programar ou a instalar um AD, mas sim, sabem como funciona a arquitetura da TI. O restante, na minha opinião, deveria fazer uma faculdade ou NO MÍNIMO um curso técnico sendo que, as faculdade e colégios técnicos, devem ter a mesma fiscalização que uma OAB faz em faculdades por exemplo.
    Será que ninguém percebe que, devido a falta de profissionais no mercado, muitos profissionais “meia boca” estão tentando se aproveitar? Que atualmente existem milhares de profissionais que não entendem praticamente NADA e estão aplicando golpe em empresas? Tudo bem que essa defasagem é por culpa das próprias empresas, que de tanto explorar e visar apenas o dinheiro, prejudicam os profissionais. Não fizemos greve, nunca lutamos pelo nosso direito, nosso sindicato é uma bela porcaria, mas os mais novos estão, estão deixando as faculdades e desistindo da área por culpa de diversas consultorias que não valem nada.
    Essa lei virá para beneficiar a todos. Nós voltaremos a ser valorizados (tanto programadores quanto analistas, administradores de rede, entre outros) e os profissionais mais novos voltarão a ter o interesse em estudar para realmente ter conhecimento sobre uma arquitetura, e não apenas conhecer a linguagem em que trabalha e fazer tanta gambiarra ou códigos horriveis, ou configurar um firewall de forma correta, limpa, ou configurar politicas de acesso em um AD corretamente, evitando duplicação ou ambiguidade.
    Entendam a necessidade disso, pois é por pensamentos contrários que nós não temos um pingo de respeito, e ficamos nessa palhaçada de “PJ”.

Vale Presente